A prevalência de queixas envolvendo o sistema musculoesquelético é considerável. Para as queixas do ombro, a incidência nas práticas da medicina de família e comunidade é de 14,45 por 1.000 pacientes (Lamberts, Monitoring Project). A maioria das queixas do ombro se resumem em uma das seguintes categorias: distúrbios do manguito rotador, distúrbios articulares (particularmente capsulite adesiva, conhecida como “ombro congelado”) e distúrbios que envolvem a articulação acromioclavicular (Winkelman). Em geral, o cotovelo e o punho são afetados com menos frequência. Jonquiere registrou que o diagnóstico de epicondilite lateral foi feito em 57 de 74 diagnósticos de patologias do cotovelo.

Apesar da incidência de queixas envolvendo o sistema musculoesquelético ser alta, o exame físico e conduta adequada ainda deixam muito a desejar. Nesse contexto, a necessidade do desenvolvimento profissional nessa área é essencial. A diferença existente entre o desenvolvimento profissional e a formação atualmente fornecido levanta várias questões. A atenção dada aos exames do sistema musculoesquelético durante a graduação é estruturada e eficiente? Há conhecimento suficiente da anatomia (funcional), cinesiologia e patologia nessa área? Até que ponto a complexidade do estudo é desencorajadora? A falta de consenso entre várias escolas confunde os alunos? Não é intenção deste texto trazer respostas equilibradas para essas questões. Em vez disso, o texto busca fornecer ao leitor a oportunidade de expandir e aprofundar seus conhecimentos nessa área. Apesar de a informação fornecida se relacionar com a prática generalista, não nos limitaremos a esse grupo de profissionais. Acreditamos que os estudantes e residentes de medicina, fisioterapeutas e profissionais da postura e movimento também se beneficiarão da leitura deste material. Na organização os autores encontraram um sem número de obstáculos elementares. A primeira questão diz respeito a qual método, movimento ou escola seria adotada como base para o texto. Por algumas razões, que serão indicadas a seguir, a abordagem ortopédica clássica foi escolhida; acreditamos que esse método se relaciona mais fortemente com o público alvo. Além disso, essa metodologia forma a base para as ideias e métodos que se desenvolveram mais recentemente. Consequentemente, qualquer um que esteja relativamente familiar com os princípios da ortopedia clássica terá uma base suficiente para aprofundar seus conhecimentos e habilidades na área estudando outras escolas.

Um segundo dilema que os autores encontraram foi criado pelo desejo de oferecer um método didático e responsável, o que requer uma abordagem rígida e sistemática, e, por outro lado, organizar um material que fosse apresentável e de fácil leitura. Em nossa opinião, o uso de fotografias é um recurso valoroso. Para alguns testes musculares, a fotografia é acompanhada de um texto descrevendo a maneira na qual a parte a ser examinada deve ser abordada; o texto pode dar informações mais elaboradas caso seja requerido pela complexidade da ação. Quando realizar esses testes musculares o leitor deve ter em mente que o método aqui ilustrado pode não ser a única maneira correta de abordar o problema. Tentamos melhorar a leitura adicionando um asterisco (*) no que está repetido. Além disso, as desordens que acompanham várias estruturas são mencionadas em alguns casos.