O crescimento fetal pode ser precisamente determinado com um exame físico. A altura uterina pode, entretanto, dar bons indicativos desse crescimento. Conforme a gravidez evolui, o crescimento fetal se torna um fator mais determinante para o aumento do volume uterino do que para o aumento do volume da placenta e de líquido amniótico, de forma que o feto pode ser avaliado de forma mais precisa. Entretanto, a importância da verificação do tamanho do fundo uterino está mais relacionado com a determinação da evolução da gestação do que em determinar a sua duração.
A altura do fundo uterino pode ser determinada com base em três pontos de referência: sínfise (s), umbigo (u) e apêndice xifóide (x) [Figura 13].

Figura 13

A medição da altura do fundo uterino (altura uterina) abaixo do umbigo não é confiável. Durante a primeira metade da gestação, o tamanho do útero só pode ser determinado com um razoável grau de precisão pelo exame de toque bimanual. Em 20 semanas de amenorreia a altura do fundo do útero deve ser de 2/3 da distância s-u, e em 24 semanas deve ser o total dessa distância (no caso de uma gestação única). Posteriormente, a cada quatro semanas 1/4 da distância u-x é coberta. Na 36ª semana de gestação a altura estará, então em 3/4 da linha u-x. Se a cabeça se insinuar após esse tempo (no caso de algumas primíparas), haverá pouco aumento na altura de fundo nas quatro semanas restantes. A precisão dessa estimação é fortemente dependente de um número de fatores, como obesidade, a posição do umbigo, forma do útero (arqueado, presença de mioma), volume de líquido amniótico e apresentação do feto. A distância da borda superior da sínfise até o ponto mais elevado do fundo uterino também pode ser tomada como medida para o crescimento. Acima da distância do umbigo, a distância da sínfise até o ponto mais alto do fundo uterino é medida em centímetros +4, com a duração da amenorreia em semanas. Assim, com uma gestação em sua 24ª semana, uma distância entre a sínfise e o fundo uterino de 30 cm é esperada. Partindo do ponto onde a medição inicia, deve haver pele sobre a sínfise, que pode se mover. Assim, também é aconselhável medir a distância entre a sínfise e o umbigo. Se essa distância é a mesma daquela medida durante a última consulta, o resultado da medição da altura uterina é confiável.

Procedimento

  • Certifique-se que a mulher está relaxada em decúbito dorsal com as pernas flexionadas, a cabeça sobre o travesseiro e os braços apoiados lateralmente a seu tronco.
  • Posicione-se em pé ao lado direito da mulher e coloque suas mãos em ambos os lados do fundo do útero.
  • Se necessário, centralize o útero primeiro.
  • Com a região ulnar da mão, encontre a extremidade superior do útero; evite recuar ou empurrar o útero para baixo (primeira parte da primeira manobra de Leopold) [Figura 14].

Figura 14

  • Precise suas descobertas usando os pontos de orientação da sínfise(s), do umbigo (u) e do apêndice xifóide (x).
  • Depois palpe o lado superior da sínfise e use uma fita métrica partindo deste ponto até a borda superior do fundo, passando sobre o umbigo [15].

Figura 15

  • Meça a distância sínfise-umbigo e sínfise-fundo em centímetros.
  • Compare os resultados com os das últimas consultas.

O útero é dito grande para a idade gestacional se a altura do fundo uterino é maior do que a esperada, baseado na duração da amenorreia (proporção tamanho-data/relação útero-feto). As causas disso são gestação múltipla, macrossomia fetal (diabetes mellitus), grande volume de líquido amniótico (polidrâmnio), placenta aumentada ou um cálculo errado idade gestacional. Uma idade gestacional pequena (útero muito pequeno para a idade gestacional) pode ocorrer nos caso de insuficiência placentária, baixo nível de líquido amniótico ou anomalias congênitas no feto. Mais uma vez, um erro no cálculo da idade gestacional precisa ser excluído, e.g. como consequência de uma anamnese mal feita (ver Capítulo 2, Anamnese).